Gostaria de iniciar este artigo com um agradecimento especial e irônico, sim, mas necessário a todos os envolvidos na operação que me afastou da liderança do PRB.
Agradeço especialmente àqueles que, com o discurso de que "o Rafael atrapalhava a criação do Estatuto", argumentaram que minha permanência na liderança era um obstáculo para a organização do partido.
Pois bem.
O Estatuto foi entregue?
Não.
Até hoje, depois de todo o teatro, de toda a articulação nos bastidores, de toda a pressa em me remover — o Estatuto não foi apresentado.
Então, de coração (ou não), obrigado. Obrigado por provarem que o problema nunca foi o Estatuto.
II. Por que eu não queria deixar a liderança?
Muita gente tem perguntado: "Por que o fundador do partido resistiu tanto a abrir mão da liderança?"
A resposta é simples e objetiva:
1. O partido tinha apenas 2 semanas de existência
E já éramos o terceiro maior partido do Brasil no jogo. Pessoas de outras UMs entravam todos os dias. Com um crescimento tão rápido, o risco de infiltrados era real e ainda é. Minha resistência não era por vaidade, mas por segurança organizacional.
2. A candidatura foi feita por baixo dos panos
Não houve um único momento em que o então candidato declarou publicamente sua intenção de concorrer à liderança. Foi tudo articulado em pequenos grupos, sem transparência. Isso demonstra que não era um movimento da base, mas de uma minoria ativa que, por sorte ou articulação, conseguiu impor sua vontade.
3. Havia planejamento prévio
Como eu mesmo disse no artigo anterior, tudo já estava planejado. Tanto que um membro do partido que não entrava no jogo há 4 dias mesmo eu tendo pedido ajuda para administrar a crise interna encontrou tempo no último minuto para entrar e adicionar o então candidato novamente ao partido.
Isso não foi espontâneo. Foi orquestrado.
III. O contexto maior
Nosso partido é recém-criado e declaradamente de esquerda em um jogo onde o país é liderado por partidos de direita (CBF e PRONA).
Desde o início, já nos preparávamos para esse tipo de ataque interno. Sabíamos que, mais cedo ou mais tarde, tentariam nos fragilizar por dentro seja por infiltração, seja por manobras regimentais.
Não fomos felizes nessa batalha interna. Perdemos essa primeira escaramuça.
Mas enquanto eu estiver no PRB, nunca vou deixar de lutar para manter o propósito que tive em mente quando fundei o partido.
IV. O propósito que me mantém de pé
O PRB nasceu para ocupar um espaço que já existia, mas que não tinha um partido para representá-lo: a luta organizada contra a hegemonia de direita, dentro e fora do jogo.
Não importa quem esteja na liderança neste momento. O que importa é que o partido continue vivo e que continue combatendo a direita, mesmo que seja "só no joguinho".
Porque, como sabemos, a política no jogo é reflexo da política real. E lá fora, a luta é bem mais séria.
V. Conclusão
Vou transformar esse debate em um artigo mais completo em breve. Mas, por enquanto, fica meu posicionamento claro:
Não abri mão da liderança por vaidade, mas por responsabilidade com a segurança do partido.
A manobra foi real, articulada nos bastidores por uma minoria.
O propósito do PRB continua intacto — e enquanto eu estiver aqui, lutarei por ele.
E, acima de tudo: o Estatuto, até hoje, não foi entregue. A ironia fala por si só.
Pela terra, pelo fogo e pela luta que não acaba
RafaelKstro
Comandante do MST
Fundador do PRB