Gostaria de começar parabenizando você https://app.warera.io/user/69c9602380c8eecf7f0e24ce pela candidatura e pelo debate que ajudou a promover durante esta eleição.
Como você sabe, não foi a proposta de governo em que depositei meu voto. Apoiei a candidatura do meu partido e uma proposta de continuidade institucional, enquanto sua candidatura apresentou uma perspectiva diferente, baseada em reforma, renovação e maior descentralização.
São caminhos diferentes, e acho importante deixar isso registrado com honestidade.
O resultado da eleição está dado. Nosso candidato venceu, e agora cabe a cada lado respeitar o resultado e observar os próximos passos.
Escrevo, portanto, não como alguém que pretende ensinar você sobre política ou dizer o que deveria ter feito, mas como alguém que acompanhou parte desse processo e gostaria de registrar algumas reflexões sobre as ideias apresentadas durante a campanha.
Durante a apresentação da sua candidatura, houve novamente uma discussão que acabou sendo encaminhada para mediação, enquanto o debate retornou rapidamente às versões e narrativas de cada lado.
Não entro no mérito daquele caso, mas vejo aí um dos desafios da proposta de pacificação que você apresentou.
Críticas e discordâncias precisam continuar existindo. Pacificação não pode significar simplesmente encerrar uma discussão ou colocar um problema debaixo do tapete.
Se até mesmo o espaço destinado à apresentação de uma candidatura acaba reproduzindo as disputas que a proposta pretende superar, essa contradição merece ser observada.
O desafio não é eliminar o conflito, mas criar condições para que ele possa ser discutido, mediado e efetivamente resolvido.
Existe uma dinâmica que me preocupa há algum tempo: quando um partido entra em crise, surgem dissidências. Essas dissidências deixam o partido, formam outro grupo ou outro partido, e isso pode ser interpretado como renovação.
Às vezes realmente é.
Mas existe uma possibilidade mais incômoda: simplesmente transferirmos pessoas enquanto os problemas que produziram o conflito continuam existindo.
Se cada incêndio dentro de um partido resultar na criação de um novo partido formado pelos dissidentes, podemos criar sucessivas organizações sem necessariamente resolver aquilo que provocou os incêndios.
E, se o problema não foi resolvido, nada impede que o mesmo ciclo volte a acontecer.
Por isso, considero que a ideia de pacificação precisa ir além da ausência de conflitos. Ela precisa significar capacidade institucional para lidar com eles antes que voltem a se repetir.
Não precisamos concordar sobre tudo.
Precisamos conseguir discordar sem destruir as instituições que construímos.
Também não vejo necessidade de repetir aqui tudo o que aconteceu dentro do PRB. Já existe um histórico suficientemente conhecido, e não vejo utilidade em requentar essas questões.
Olhando para o https://app.warera.io/party/6a5dc929d003de550179027c , existe uma coisa que me chamou atenção positivamente.
No PRB, inclusive, tive que participar de debates sobre candidaturas oportunistas e sobre a necessidade de regras mais claras para evitar que situações semelhantes voltassem a acontecer. Espero sinceramente que vocês não tenham precisado passar pelo mesmo tipo de discussão.
O simples fato de não ter surgido uma candidatura oportunista paralela à sua internamente já diz bastante sobre o nível de organização que vocês conseguiram construir neste processo.
Pode parecer um detalhe pequeno, mas não é.
Regras claras não devem existir para proteger pessoas ou posições, mas para proteger as instituições e garantir que elas continuem funcionando independentemente de quem esteja no poder.
O exercício do poder deve estar subordinado às instituições e às regras que as sustentam.
Agora começa uma etapa diferente.
Nosso candidato venceu a eleição, e o Brasil seguirá, neste momento, pelo caminho proposto pela nova gestão.
Também entendo e respeito sua decisão de não assumir um cargo no novo governo. Espero apenas que essa escolha não transforme sua posição em uma oposição pela oposição, nem faça com que seja necessário reinventar aquilo que já funciona institucionalmente apenas para apresentá-lo sob um rótulo diferente.
Espero que as ideias que você apresentou continuem sendo discutidas de forma construtiva, inclusive fora do governo.
Há ainda uma reflexão que levo deste processo: se dar poder a alguém revela muito sobre quem ela é, talvez perder esse poder revele ainda mais sobre quais relações permanecem quando ele deixa de estar em suas mãos. É nesses momentos que se percebe quais relações são construídas em torno de pessoas e quais são construídas em torno de princípios.
Talvez essa seja também uma oportunidade para que todos nós aprendamos alguma coisa com este processo.
Se conseguirmos fazer isso, talvez esta nova gestão seja realmente diferente. E talvez não precisemos esperar o próximo incêndio para descobrir que ainda havia fogo debaixo das cinzas.
No mais, desejo sinceramente sucesso a você, ao seu partido e ao Brasil.
GiuGiu
Presidente Interino do Partido Revolucionário Brasileiro