Dia 15/04/2026 - 06h00 AM Amazônia

Nosso pelotão divisional estava a caminho pelos ares da Amazônia, acima da copa verdejante de cada árvore. O som dos motores dos helicópteros não seria tão incômodo quanto a tempestade que se aproximava ao longe.
Lado bom: o calor que açoitaria, com o ar quente e úmido, cortesia do clima equatorial, nas primeiras horas seria amenizado. Eu lembrava que meus pais, irmãos e mulher estavam na espera de boas novas. E que eu gostaria do meu ar-condicionado ligado nessas horas.
Nós estávamos longe, mas defendendo nossa casa. Era necessário.
Todo conforto deixado para trás, a fim de que o inimigo não viesse.
Diferente do que muitos pensam, não se pode fazer tantas trincheiras próximas aos rios e terras inundadas. Avançar com blindados ou híbridos levaria tempo. Era por isso que nosso pelotão tinha sua importância. Dominando os ares e impiedosos para os inimigos na terra.
Há meses, o centro oeste com muito esforço fora recuperado, agora cabe a nós continuar.
Pedro sorriu quando terminei de orar.
- Pediu o quê a Ele? Um milagre para melhorar sua cara ou diminuir as orelhas? - brincou. - Pede para ter uma Brahma na base ou, melhor, duas grades depois que voltarmos! - disse ele alto para sua voz não ser abafada devido o som dos motores.
- Pedi para que os chilenos focassem só em você assim que descermos! Vai ajudar os demais! - respondi com o mesmo tom humorado.
- Suas orelhas são o melhor alvo! - retrucou antes de segurar a corda que brevemente seria necessário.
Alguns riram e outros se manifestaram com mais risadas, antes do sargento intervir e chamar atenção para evitar zaralho.
No desembarque. A base estava agitada. Descemos rápido de rappel, e nosso pelotão era apressado para que as ordens começassem a ser cumpridas. Meu grupo fora determinado para evitar o reabastecimento das tropas chilenas e retardar o avanço contra as cidades próximas de Manaus. Simplificando: menos recursos, atrapalho na logística e garantir que as tropas aliadas no fronte tivessem menor resistência inimiga.
O deslocamento aéreo terminava e criando trilha entre às árvores prosseguimos o grupo composto por Pedro, mais alguns outros irmãos de fardas - guerreiros de selva, um russo, dois venezuelanos e eu. Direto à missão, sob forte chuva e incessante ventania.
- Cacetada! - murmurei, pois a chuva era forte e, ainda abaixado, a alguns metros do local do alvo, tentei situar as condições para os que estavam próximos. Condições essas sobre o inimigo, visto que a Inteligência do Exército havia repassado certas informações, e ali, a minutos de uma ação e combate iminente, havia algumas divergências do que fora informado.
- O russo! - fiz um sinal com as mãos.
Ter um russo no nosso grupo destacava a maneira como eu iria me comunicar, não só eu. Sorte dele que eu garanti algumas frases no Duolingo.
Pedro estava logo diante, juntamente aos demais que iam flanquear.
Todos a postos.
Avançamos. O primeiro disparo foi dado.
A furtividade fora deixada de lado quando os veículos inimigos explodiam um por um. Alguns chilenos caíam ao chão.
Todavia, o fato de que eles estavam preparados, como se estivessem à espera, era real. Incomodou-me um pouco.
Quando avancei mais certos metros, percebi que havia resistência maior em uma das construções. Ganhei cobertura do russo e avancei.
Uma bala zumbiu perto ao meu ouvido direito.
Mas, consegui cobertura e levando a mão no local do contato, percebi que o líquido avermelhado não era tanto para se preocupar.
Pensei:
"A selva não pertence ao mais forte, mas ao sóbrio, habilidoso e resistente."
Tive que continuar...
https://app.warera.io/article/69e1a64b7acf98d44529a06c