
Apesar de Portugal continuar sob ocupação marroquina, a moral das tropas permanece elevada, principalmente desde que a resistência conseguiu recuperar uma máquina funcional de café Delta na zona livre de Abrantes.
As autoridades ocupantes continuam a controlar os principais centros urbanos, mas enfrentam crescente dificuldade em dominar o espírito português, sobretudo ao domingo depois do almoço.
O Estado-Maior da Resistência já divulgou várias medidas estratégicas para enfraquecer o ocupante:
Todos os dias, às 7h da manhã, colunas clandestinas espalhadas pelo país reproduzem:
Quim Barreiros;
música pimba de 2003;
e relatos completos do trânsito na IC19.
Os ocupantes já começaram a apresentar sinais de desgaste mental severo.
Milhares de mães portuguesas infiltradas continuam a fornecer às tropas:
arroz de pato;
jardineira;
croquetes;
e caixas de gelado reutilizadas cheias de sopa.
Analistas internacionais consideram impossível derrotar um povo alimentado permanentemente pela própria mãe.
Funcionários infiltrados atrasam deliberadamente toda a burocracia ocupante através de métodos tradicionais portugueses:
“falta uma assinatura”;
“o sistema foi abaixo”;
“agora só amanhã”;
“tem de tirar senha”.
As forças marroquinas já perderam três divisões inteiras apenas tentando tratar documentação nas Finanças de Setúbal.
Agentes da resistência substituem discretamente menus modernos por:
diárias;
sopa + prato + bebida + café;
e sobremesa incluída.
Vários ocupantes abandonaram posições após perceberem que estavam a começar a gostar de cozido à portuguesa.
Especialistas portugueses continuam a confundir veículos militares invasores usando:
piscas opcionais;
entradas em terceira faixa;
e prioridade interpretativa.
Nenhum estratega estrangeiro conseguiu ainda compreender o funcionamento de uma rotunda portuguesa às 18h.
As tropas da resistência reúnem-se secretamente em cafés locais para discutir planos militares complexos como:
“mandá-los todos embora”;
“isto no tempo do meu avô não acontecia”;
e “o problema é os políticos”.
Apesar disso, a moral mantém-se extremamente elevada.
O Conselho Supremo da Resistência garante que a libertação de Portugal está próxima e pede calma à população, especialmente após rumores falsos de que o Algarve já caiu completamente para investidores estrangeiros e brunches artesanais.
Até lá, a luta continua.
Portugal resiste.
Com café.
E estacionamento em segunda fila.