A minha vida esvai-se. A visão escurece. Tudo o que resta são memórias. Lembro-me de uma época de caos... sonhos arruinados... uma terra devastada. Mas, acima de tudo, lembro-me do Guerreiro Da Tasca. O homem a quem chamávamos Quim... Para entender quem ele era, é preciso voltar a outra época... quando o mundo era movido a vinho... e as videiras brotavam grandes cachos de uvas brancas e tintas. Tudo isso desapareceu... varrido da existência. Por motivos há muito esquecidos, duas poderosas tribos guerreiras entraram em guerra e atearam um fogo que as consumiu completamente. Sem vinho, eles não eram nada. Haviam construído uma casa de palha. As tascas e as tabernas silenciaram-se e fecharam. Os seus líderes falaram, falaram e falaram. Mas nada podia deter a avalanche. O mundo deles desmoronou. As cidades explodiram. Um turbilhão de saques, uma tempestade de fogo e medo. Homens começaram a devorar homens. Nas ruas, era um pesadelo. Apenas aqueles móveis o suficiente para vasculhar e brutais o suficiente para saquear sobreviveriam. Os gangues tomaram as estradas, prontas para guerrear por um garrafão de Esteva Tinto. E nesse turbilhão de decadência, homens comuns foram massacrados e destroçados... homens como Quim... o guerreiro Quim. Ao som de uma garrafa quebrada, ele perdeu tudo... e tornou-se apenas a sombra de um homem... um homem ressacado e cheio de sede, assombrado pelos espíritos do passado, um homem que vagueou rumo ao Alentejo. E foi aqui, neste lugar devastado, que ele aprendeu a viver novamente.
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