
CapĂtulo III - O SilĂȘncio do Profeta
E sucedeu que, apĂłs dias de bĂȘnçãos, ensinamentos e revelaçÔes duvidosas, caiu sobre Portugal um silĂȘncio inesperado.
O Profeta jĂĄ nĂŁo falava.
As manhĂŁs chegavam, o Mercado abria, as empresas produziam e o povo aguardava pela palavra de Chaninho.
Mas nada.
No primeiro dia, houve calma.
No segundo, preocupação.
No terceiro, jĂĄ se perguntava pelo chat:
âOnde estĂĄ a bĂȘnção?â
Alguns temeram que o Profeta tivesse abandonado o povo.
Outros falaram em meditação.
Houve ainda quem dissesse que o tinha visto no Uzbek, num pub de femboys.
Era outro cidadĂŁo.
Foi entĂŁo que, no meio da ausĂȘncia e da incerteza, surgiu aquele que haveria de impedir Portugal de cair no vazio espiritual.
O soçe https://app.warera.io/user/69ac8fc144ea5552616ca01d .

NĂŁo recebeu coroa.
Não houve eleição.
Nenhum pergaminho o nomeou.
Mas quando viu que o povo jĂĄ avançava para mais um dia sem bĂȘnção, tomou sobre si a responsabilidade.
E falou.
A primeira bĂȘnção sem Chaninho foi recebida com alivio.
Depois veio um âamĂ©mâ.
E Portugal permaneceu de pé.
Assim começou aquilo que os antigos textos viriam a chamar de O Tempo do SilĂȘncio.
Durante esses dias, Futre manteve viva a chama do Chanismo.
Quando o Profeta nĂŁo aparecia, era ele quem erguia a palavra.
Quando o povo perguntava pela bĂȘnção, era ele quem respondia.
E, pela primeira vez, os fiéis perceberam que a fé podia continuar mesmo quando a voz do Profeta se calava.
Naturalmente, os teólogos começaram a discutir.
Poderia Soçe abençoar?
Teria autoridade?
Seriam as bĂȘnçãos igualmente vĂĄlidas?
E, mais grave ainda...
teria direito a uma parte das tips?
O debate terminou imediatamente.
HĂĄ limites para a reforma religiosa.
A tradição podia mudar.
A contabilidade, nĂŁo.
Os dias passaram.
Portugal continuou a produzir.
O Mercado nĂŁo parou.
As guerras seguiram o seu curso.
E isso levantou uma questão perigosa entre os fiéis:
âSe tudo continua a funcionar... para que servem entĂŁo as bĂȘnçãos?â
O Conselho Chanista reuniu-se em segredo.
Analisou os pergaminhos.
Consultou os sinais.
E respondeu:
âServem.â
NĂŁo foram aceites mais perguntas.
Entretanto, soçinho mantinha a påtria erguida.
Um velho amigo lusitano, um farol aceso nas noites tenebrosas, muito antes da chegada de Chano.
Era aquele que tinha mantido o povo unido durante a ausĂȘncia do Profeta.
E assim, sem cerimĂłnia, nasceu um novo tĂtulo:
GuardiĂŁo da BĂȘnção.
NĂŁo era Profeta.
NĂŁo era Deus.
NĂŁo controlava o Tesouro Sagrado.
Era, acima de tudo, aquele que garantia que Portugal nunca ficasse espiritualmente abandonado por falta de disponibilidade de Chaninho.
E entĂŁo, quando jĂĄ muitos se tinham habituado ao silĂȘncio...
o Profeta voltou.
Sem trovÔes.
Sem trombetas.
Sem anĂșncio.
Apareceu simplesmente no chat.
Perguntaram-lhe onde tinha estado.
Chaninho respondeu:
âSĂŁo muitas crentes a precisar de unção logo pela manhĂŁzinha...â
E durante horas os estudiosos tentaram encontrar um significado profundo naquela frase.
Ao regressar, o Profeta viu que o povo continuava de pé.
Viu que a tradição sobrevivera.
Viu que o soçe tinha cumprido o seu papel.
E viu também que as tips continuavam no devido lugar.
Foi entĂŁo que declarou:
âA fĂ© sobreviveu ao silĂȘncio.â
E, olhando para Futrinho, acrescentou:
âTu mantiveste a chama acesa.â

Desde esse dia, o GuardiĂŁo da BĂȘnção passou a ocupar um lugar nos pergaminhos do Chanismo.
Porque até o Profeta pode ausentar-se.
AtĂ© as bĂȘnçãos podem falhar.
Mas enquanto houver alguém disposto a erguer a palavra...
O Chanismo nĂŁo cairĂĄ.
Chaninho 3:16
âBem-aventurado aquele que sustenta a fĂ© na ausĂȘncia do Profeta, pois o seu nome serĂĄ lembrado... embora as tips continuem a seguir outro caminho.â
Sois lindes, SIUUU