Se você está me ouvindo ou lendo agora, provavelmente também acredita que dá pra unir o que a gente ama com o que a gente luta. E é exatamente sobre isso que quero falar hoje.
Por um tempo, fui produtor do Resist Podcast.
Ali, aprendi que microfone não é só equipamento: é ferramenta de existência. Cada episódio era um grito organizado, uma conversa que se recusava a abaixar a cabeça. Produzir o Resist Podcast me ensinou que narrativa também é resistência.
Antes do Podcast, já havia outra guerrilha: a dos jogos online. Desde 1997, frequento comunidades gamers. Lá dentro, aprendi sobre estratégia, trabalho em equipe, superação. Mas também vi o que ninguém conta: a exclusão, o preconceito, os xingamentos anônimos.
Foi nesse contraste que me formei.
Enquanto muitos separam "mundo dos games" e "mundo real", eu descobri que a consciência também se constrói no server do Discord, no bate-papo do saudoso Corujão nas madrugadas de LAN house.
Sempre fui militante de esquerda. E não foi por acaso: fui criado em uma família esquerdista. Em casa, diálogo não era conversa fiada — era princípio. Lembro de discussões na mesa de jantar sobre luta de classes enquanto eu estava com o controle do videogame na mão.
Herdei deles a certeza de que o mundo não é um jogo com regras fixas — mas a gente pode (e deve) tentar mudar as regras.
Mas tem um momento que eu jamais vou esquecer. Um momento que transformou minha trajetória de militante de base em algo ainda mais concreto.
Em 2022, tive a honra, a emoção e o privilégio de conhecer pessoalmente a ex-presidenta Dilma Rousseff e o atual presidente Lula.
Não foi uma foto distante. Não foi um "oi" atravessado. Foi aperto de mão, olho no olho, história se encontrando com história.
Ali, naquele instante, eu — o garoto que cresceu ouvindo política na mesa de jantar, que produzia podcast de resistência, que matava chefões em jogos online enquanto sonhava com um mundo mais justo — eu vi de perto o que significa liderança com alma e resistência com pé no chão.
A Dilma, com sua força serena, que enfrentou golpe com a cabeça erguida.
O Lula, com seu abraço que coube o Brasil inteiro.
E sabe o que eles me mostraram? Que a gente não precisa ser herói pra fazer história. Basta estar do lado certo e não desistir.
Atualmente, quero seguir mostrando que dá pra ser:
Gamer e militante
Produtor de conteúdo e construtor de comunidade
Filho de uma criação ideológica e dono da própria voz
Meu propósito é simples: inspirar pessoas que acham que precisam escolher entre o que gostam e o que acreditam.
Você não precisa largar o controle pra pegar uma bandeira. Nem desligar o microfone pra se engajar.
Dá pra fazer os dois. E, junto com gente boa, fazer bonito.
Se essa conversa fez sentido pra você, me chama. Vamos jogar, trocar ideia ou, quem sabe, produzir algo juntos.
Porque, no fim, uma boa jogatina e uma boa militância sempre terminam com: "de novo, amanhã?"